Paz na Colômbia <br>resiste às urnas
Governo e Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia – Exército do Povo (FARC-EP) lamentam o triunfo do «Não» no referendo ao acordo para o fim do conflito armado, e garantem que o resultado não impede a pacificação do país.
As FARC-EP reiteram que vão «usar somente a palavra como arma»
LUSA
Por uma escassa margem de 0,44 por cento do total dos votos válidos, o acordo de paz assinado no passado dia 26 de Setembro entre as FARC-EP e o governo colombiano foi rejeitado em sufrágio realizado este domingo, 2, na Colômbia e em 39 países onde a diáspora colombiana é mais significativa.
No plebiscito para o qual estavam convocados cerca de 35 milhões de pessoas, acabaram por participar aproximadamente 37 por cento daquelas, a maioria residente nas grandes áreas urbanas. Ou seja, boa parte dos colombianos particularmente afectados por um conflito com mais de meio século – camponeses e assalariados rurais, milhões de deslocados internos em resultado da guerra e da acção dos paramilitares ligados ao latifúndio e ao narcotráfico –, acabaram por não se pronunciar sobre o acordo para uma paz estável e duradoura, sugerem os dados oficiais divulgados pela entidade responsável pela organização e monitorização do pleito.
Os defensores da guerra, como o ex-presidente colombiano Álvaro Uribe, exultaram com o triunfo do «Não», decorrente da intensa campanha de intoxicação pública que protagonizaram.
Da parte dos subscritores do acordo de paz, Juan Manuel Santos, presidente da Colômbia, asseverou que conserva «intactas as faculdades e as obrigações para manter a ordem pública e negociar a paz», desígnio cuja perseguição, garantiu, pretende prosseguir até ao último dia do seu mandato porque considera que a paz «é hoje mais importante do que nunca».
No mesmo sentido pronunciou-se o primeiro comandante da guerrilha, Timoleón Jiménez «Timochenko», que a partir de Havana, Cuba, onde o diálogo se desenrolou desde 2012, ratificou a vontade de as FARC-EP «usarem somente a palavra como arma de construção do futuro».
Na prática, FARC-EP e governo colombiano asseguram, para já, a vigência do cessar-fogo (cuja observação foi confiada às Nações Unidas) e a validade do texto negociado, facto que permite ter esperança de que a paz na Colômbia resiste às urnas.